O novo álbum da banda, 21st Century Breakdown, levou cinco
anos para ser feito. Por que demorou tanto?
Bem, nós fizemos uma turnê de dois anos com o álbum anterior
(American Idiot) e Então levamos mais três anos para trabalhar
neste álbum após o final da turnê em Dezembro de 2005. Entramos em
estúdio em Fevereiro de 2006. Nós tínhamos que ter paciência para
descobrir o que Realmente queríamos fazer, queríamos achar maneiras
de nos desafiar ao invés de repetir o que fizemos antes. Pular logo
de cabeça não faz muito o nosso estilo.
Quais os temas e influências deste novo álbum?
O álbum é chamado 21st Century Breakdown e temos, basicamente, dois
personagens nele: Christian e Gloria, que falam em cada canção, mas
sem ser uma história, mas mais uma identificação de cada canção
nesta era pós-Bush. Pois, sabe, na América, a cada semana aparece
uma nova crise, mesmo com um novo Presidente e uma sensação de
otimismo, estamos indo em direção aos piores tempos desde a época
da Depressão.
Ok, Então seria esse um álbum apenas para Americanos ou é
também para todas as outras pessoas?
Bem, acho que qualquer pessoa pode se identificar com o álbum
embora seja dali mesmo que ele vem. Só por que o álbum foi feito na
América, não quer dizer que ele seja restringido para somente ali.
Não fala somente sobre a América, fala sobre pessoas que têm
emoções e sentimentos e sobre como você pode acabar com todos os
seus sonhos se você não questiona as coisas, inclusive você
mesmo.
Vocês citaram Queen, Bruce Springsteen, The Who, The Beach
Boys, The Beatles e The Clash como as principais influências deste
álbum. Como foi? Como estes artistas influenciaram
vocês?
Eu acho que mais do que musicalmente todos estes artistas foram
bastante inspiradores pelo trabalho que desenvolveram como um todo.
Não é todo dia que uma banda ou artista tenta escrever o melhor
álbum de sua carreira ou tenta atingir um novo patamar como
compositores ou músicos. E para nós, esse desafio foi assustador,
mas ao mesmo tempo muito motivador.
Hollywood é o melhor local para se conseguir
isso?
Bem, apenas fomos para lá na última fase de gravação do álbum. Mas,
para os primeiros anos de composição ficamos em Oakland. Então,
fomos para um pequeno estúdio na Califórnia do Sul e foi quando
Butch Vig entrou no processo...
Com 21st Century Breakdown vocês continuam na linha da
opera-rock, após American Idiot, e o álbum é um tanto longo (com
três atos), por que um álbum tão longo?
É, o álbum tem cerca de 70 minutos. Sabe, eu acho que esse álbum
poderia ser visto como três pequenos EPs juntos. Nós tentamos
colocar e tirar algumas canções, mas parecia que havia uma espécie
de seqüência natural – cada seção do álbum é importante para
descrever uma idéia ou emoção e fazer com que seja uma ótima
jornada musical. Acho também que viemos de uma época onde ainda
existia o vinil e em uma época onde as pessoas podem baixar uma
canção na internet se quiserem, precisamos fazer álbuns mais
especiais do que isso.
Se você tivesse que escolher uma música de cada ato, quais
seriam e por quê?
Para o primeiro ato (Heroes and Cons), eu escolheria Know Your
Enemy, pois é uma música de questão pessoal e ao mesmo tempo
global. No segundo ato (Charlatans and Saints), eu escolheria
Restless Heart Syndrome, que é uma canção que fala sobre remédios
sob prescrição médica e medicamentos
OTC* que são publicados e forçados
na América como uma forma de acabar com os seus pesadelos, mas que
acaba matando os seus sonhos. E então para o terceiro ato
(Horseshoes and Handgrenades), escolheria See The Light, pois tem
de haver esperança em um tempo de crise, mesmo não tendo respostas
para nada.
Quem escreveu as canções para o álbum? Todos contribuem com
idéias?
Billie Joe escreveu a maioria delas, ele as leu para nós, e Então
começamos a discutir arranjos e seqüências etc... Juntos, achamos
uma correlação lógica e natural para todas as canções.
Por que escolheram Butch Vig para produzir o
álbum?
Ele sempre esteve em nossa lista de escolhas em termos de quem
gostaríamos de trabalhar junto um dia. E então, tivemos a chance de
conhecê-lo e, uma vez que o fizemos, na hora decidimos que ele era
o homem certo para o trabalho.
Você se sentiram estagnados com Rob Cavallo na
produção?
Queríamos apenas algo um pouco diferente, só isso. Sempre estivemos
muito envolvidos na produção de nossos álbuns, então queríamos
alguém que nos desafiasse de uma maneira diferente...
E que maneira era esta?
Butch queria “aumentar”, completar o som das coisas,
então em algumas canções, existe muita coisa em pianos ou certos
estilos vocais que as pessoas nunca esperariam ouvir em canções do
Green Day. Butch Realmente nos fez tirar essas coisas da cartola,
ele nos deixou sermos emocionais, vulneráveis e fez com que não
tivéssemos medo de nada.
Como você definiria a música de vocês hoje em dia? Ela
evoluiu de um punk rock simples a algo mais?
Nós somos uma banda punk rock, é a cena na qual surgimos, mas
também acho que somos uma ótima banda de rock'n'roll... Estou sendo
mais do que modesto, pois é minha banda, mas acho que somos muito
ambiciosos e quero mesmo é fazer música para o mundo, escrever
belas canções e ser motivo de orgulho para minha
família.
Ainda é possível ser uma banda punk depois dos
40?
Sim, pois a cena punk na qual cresci não tem idade e não existem
regras para o punk rock.
O que você acha de todas essas bandas punk voltando: The
Only Ones, Wire, para citar algumas, todas essas bandas voltando em
2008-09?
Bem, acho que não tem nada de errado em quererem voltar a tocar. Se
as pessoas quiserem ir vê-los, ótimo. É como conosco, não podemos
forçar ninguém a gostar de nossas músicas ou comprar nossos álbuns,
apenas as lançamos e vemos o que acontece.
Vocês estão juntos há 22 anos. Sempre foi uma jornada
tranqüila?
Nós estamos na banda há 22 anos, mas nos conhecemos desde os cinco
anos de idade [risos]... Bem, sempre há os altos e baixos, mas acho
que é mais difícil mantermo-nos juntos do que acabar com a banda.
Muitas bandas terminam, mas nós conseguimos ficar juntos pela banda
e por nós mesmos...
Então, já pensaram em acabar com a banda algum
dia?
Eu não diria acabar, mas sim tirar um pouco a pressão de cima de
nós, às vezes. Temos total consciência das oportunidades que nos
são dadas, de conquistar objetivos fantásticos e não subestimamos
isto. Além disso, sou muito orgulhoso da longevidade do Green
Day.
Fala um pouco sobre o musical inspirado em American Idiot.
Seria esse o começo de um plano de aposentadoria bem
lucrativo?
Bem, não acho que fazemos nada por dinheiro. Acho que fazemos tudo
pela arte. Eu não preciso de dinheiro, pois um dia irei morrer e
ele eventualmente irá acabar, Então não me preocupo com isso. E
como musical, quero dizer, nós assistimos e as pessoas que estão
trabalhando nele são absolutamente talentosas em suas habilidades e
ver essa garotada contracenando você repara que eles vivem para o
teatro e para a sua arte e isso é muito inspirador para
nós.
*OTC: Off The Counter –
São remédios vendidos sem prescrição médica, aqueles analgésicos
como Neosaldina, além de remédios como Engov, por
exemplo.
Creditos: www.thenimrods.com